23 de mai de 2017

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Opinião: O problema não é o ônibus, é a mídia em torno dele


Desde que foi entregue, com direito a solenidade e muitos holofotes, o ônibus do transporte de universitários da cidade de Picuí, Seridó paraibano, para a cidade de Campina Grande tem sido alvo de embate nas redes sociais por correligionários políticos dos dois cordões que dividem a política picuiense. De um lado, a bancada de situação ao prefeito elogia a atitude e ataca as gestões anteriores. Do outro, a bancada de oposição critica o alto custo do veículo e a propaganda em torno de tal locação. Mas, o problema, na verdade, não é o ônibus – ninguém torce que ele quebre – e sim a mídia em torno dele.

“Ninguém comemora o aluguel de uma casa e, sim, a construção de uma nova”, foram as palavras do vereador Aldemir Macedo (PTdoB) no último domingo (21) ao criticar a publicidade empregada em torno da locação de um veículo pago com dinheiro público por um preço pra lá de alto e ainda por cima a uma empresa de outro estado. Não gera receita para o município e deixa de priorizar pais de família da cidade.

Um site ligado à gestão petista do prefeito Olivânio chegou a noticiar o ônibus como um modelo zero quilômetro, quando na verdade o mesmo tem dez anos de estrada. A matéria foi removida logo após cumprir seu papel de confundir a mente da população. O povo também achou, por um momento, que o veículo teria sido comprado pela prefeitura. Ninguém sabe se a intenção foi essa, mas a mídia empregada em rádio, TV e internet em torno do busão deu a entender que era quase isso e mais um pouco. Afinal, a gestão petista de Picuí é recorde em mídia. Nunca se viu tanta. O prefeito é rodeado de profissionais da imprensa, jornalistas, jornaleiros, blogueiros e outros.

A oposição critica, e com razão, o valor da locação do veículo. A gestão pagará mais de R$ 118 mil para o veículo rodar de segunda à sexta com os estudantes no prazo de 10 meses. “Com o valor, daria para comprar um do mesmo”, levantou o vereador Ataíde Xavier (PSD). Além de servir aos universitários, poderia ser bem mais aproveitado no município, até mesmo pelos grupos culturais. No próximo ano, uma nova licitação deverá ser feita e mais R$ 118 mil vai embora. Na gestão do ex-prefeito Buba Germano (PSB), um ônibus usado foi comprado para atender os universitários. O veículo era usado, mas existe até hoje. Se faltou manutenção para manter o mesmo em boas condições, esses são outros poréns. O fato de ser usado não é problema, que o diga seu Laudilino.

Na noite desta segunda-feira (22) o ônibus outrora “vendido” como zero km deu pane. Um problema no sensor de marcha deixou estudantes a pé em plena noite fria da Rainha da Borborema. Para retornar às suas casas foi preciso pegar carona. A partir daí, começou os embates nas redes sociais. Críticas, defesas e muito muído. Alguns chegaram a cogitar que a oposição estaria torcendo contra o transporte, mas logo foi rebatido: “para quem vendeu um ônibus novo, isso não era para acontecer”. A mídia demais às vezes atrapalha e dessa vez atrapalhou.

A empresa, como qualquer outra, providenciou um ônibus reserva e mandou para a cidade. O vice-prefeito Lucas Marques (PSD) e alguns asseclas do prefeito não perderam tempo e em tom de ironia jogou a foto nas redes sociais. “Para quem não quer o bem de Picuí é se conformar e agüentar o novo jeito de governar”, escreveu Lucas. A locadora não fez mais do que sua obrigação, afinal, essa é uma regra de quem loca qualquer veículo. Ai dela se não faz, quem danado quer perder um contrato de R$ 118 mil numa crise dessas? Aí já é achar que o povo é besta, vice-prefeito.

Mas ninguém é contra o novo jeito de governar, não. É preciso ter muita coragem para mudar, inclusive, usar a mídia para enganar. Mas um dia a mentira vira rotina, o povo vai se alertando e a tendência é a casa cair. O problema não é o ônibus, é a mídia em torno dele.






Por Flávio Fernandes

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