31 de out de 2016

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Abstenções, votos brancos e nulos somam 32,6% do eleitorado do país


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou na noite deste domingo (30) que o número de eleitores que não compareceram às urnas no segundo turno das eleições municipais, somado aos votos brancos e nulos, foi de aproximadamente 10,7 milhões de pessoas.

O número, segundo o tribunal, corresponde a 32,6% dos 32,9 milhões de eleitores aptos a votar neste domingo. No segundo turno das eleições municipais de 2012, a proporção foi menor, de 26,5%.

O total de abstenções foi de cerca 7,1 milhões de eleitores (ou 21,55% do eleitorado). O número de votos brancos ficou em aproximadamente 936 mil. Os votos nulos somaram 2,7 milhões.

Na avaliação do presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, há um “estranhamento” entre o eleitor e os políticos que o representam. “Alguma coisa se traduz nessa ausência ou também na opção pelo voto nulo”, disse, em coletiva de imprensa.

Mendes ponderou que não se deve supervalorizar o número de ausentes, já que “impropriedades” podem ser encontradas na contagem dos eleitores. “Onde tem biometria, temos índice menor de abstenção. Pessoas que mudam de cidade sem mudar o domicílio eleitoral, isso acaba contaminando os dados”, afirmou.

De acordo com o ministro, o cadastro da Justiça Eleitoral não exclui eleitores que faleceram desde maio deste ano. “Não está atualizado”, explicou Mendes.

Para o presidente do TSE, é equivocada a avaliação de que o elevado índice de abstenções se deve ao fato de o voto ser obrigatório. “Não há dificuldade para se fazer justificativa. A multa que se aplica é quase simbólica, está em R$ 3”, afirmou.

Para ele, tornar o voto facultativo no país seria como “checar se tem gasolina no tanque acendendo o fósforo”. O ministro usou como exemplo o Chile, onde o voto deixou de ser obrigatório e que registrou elevadas taxas de abstenção nas últimas eleições.

Classe política

No primeiro turno, o alto índice de abstenções e votos anulados causou repercussão entre os principais políticos do país. O presidente da República, Michel Temer, chegou a afirmar que o número era um recado da população à classe política.

Já o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que a prioridade do Congresso deveria ser uma reforma política “profunda”. Para ele, caso os parlamentares não aprovem mudanças no sistema eleitoral, a política vai se desgastar cada vez mais.

G1

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